Resenha: Emma, Jane Austen

A leitura de Emma, de Jane Austen, não estava nos meus planos esse ano. Porém, depois de ler a resenha da Kelly, do Blog Café e bons livros, e de assistir ao filme baseado nessa obra, que eu amei, resolvi investir nesse livro. Vale lembrar que essa não a minha primeira leitura dessa autora. Eu já li Orgulho e Preconceito (que preciso reler) e A Abadia de Northanger, que já tem resenha no blog.

Emma foi publicado pela primeira vez em 1815 e pode ser considerado uma comédia de costumes, já que o enredo gira em torno da rotina dos personagens, através da qual você também consegue observar algumas críticas sociais e rotina de classes mais altas da sociedade britânica. De acordo com a nota do tradutor, na biografia de Jane Austen existe o registro de que, nesse romance, ela criou uma protagonista de que ninguém iria gostar, exceto ela própria. Eu não vou dizer que odiei, mas confesso que, às vezes, me deu vontade de bater na protagonista.

Li o e-book da Editora Lp&m Pocket disponível no Kindle Unlimited, do qual sou assinante, e que conta com 544 páginas. Essa edição foi traduzida por Rodrigo Breunig, que também escreveu um texto de apresentação muito interessante e que está presente no início do livro. Nele, o tradutor contextualiza a obra, fornece informações sobre as circunstâncias nas quais esse livro foi escrito e ainda faz comentários muito interessantes sobre o enredo. Vale muito a pena ler esse texto de apoio!

Emma

A protagonista e heroína dessa história é a senhorita Emma Woodhouse, uma jovem de 21 anos, bonita, inteligente, mimada, popular e rica, já que é filha única de um viúvo muito bem financeiramente. Ela mora com o pai, que é idoso e hipocondríaco, na propriedade de Hartfield. Essa propriedade é localizada na Vila de Highbury, um local pequeno e pacato, sem grandes acontecimentos ou bailes, comuns naquela época.

Por isso, a jovem Emma não tinha muitos locais para frequentar ou conhecer pessoas que estivessem no mesmo nível social que ela. Aliás, ela tem muita consciência das camadas e limites sociais da sociedade britânica do século XIX, e isso a faz selecionar e até julgar a pessoas com base na sua renda, posses, maneiras etc. Em função disso, em muitos momentos, ela me pareceu arrogante e presunçosa, e acho que foi por isso que a autora disse que ninguém gostaria dela.

Por causa desse modo de vida e de sua vontade em aproximar as pessoas, uma das atividades preferidas de Emma é formar casais e promover casamentos. Foi assim que sua governanta e melhor amiga, Senhorita Taylor, se casa com o Senhor Weston. Convencida de que ela foi responsável por esse enlace e carente por uma nova companhia, Emma se empolga e fica determinada a encontrar um par para a Senhorita Harriet Smith, uma jovem doce, pobre e inocente de apenas 17 anos, que acaba se deixando levar por Emma.

O problema é que suas tentativas de aproximar as pessoas, assim como suas leituras precipitadas dos comportamentos alheiros e das situações, acabam gerando vários problemas ao longo da história. O mais engraçado é que, apesar de bancar a casamenteira, a própria Emma não se interessa pelo casamento. Afinal, como ela é rica e tem boas posses, então acredita que não precisa de tal proteção ou acordo financeiro que possa surgir dessa união.

O único personagem dessa história que realmente consegue lidar com Emma, sem mimá-la, corrigindo-a sempre que necessário e oferecendo conselhos realmente úteis, é o seu amigo íntimo, o senhor George Knightley. Para mim, ele é o personagem mais interessante e equilibrado dessa história. Com 37 anos, Knightley é um homem muito bem sucedido, sensato, perspicaz, bonito e elegante. Além disso, ele é o irmão do marido de Isabella, irmã mais velha de Emma.

O ponto positivo é que, ao longo da história e depois de vários desentendimentos, você percebe um amadurecimento de Emma, que acaba reconhecendo que não é tão madura, esperta e sábia como imaginava, o que é muito interessante.

Por que demorei para ler esse livro?

Bem, e por que demorei tanto para ler esse livro? Afinal, foram quase dois meses nessa leitura!!! Como eu disse, essa é uma comédia de costumes. Então a história gira em torno das confusões nas quais Emma se envolve, nas rivalidades, nos relacionamentos e fica por isso mesmo. A história não tem nenhum ponto alto, entende? E foi por isso que demorei tanto para ler. O enredo não me prendeu tanto assim, especialmente porque estava fazendo, em paralelo, outras leituras mais empolgantes do que essa.

Eu só consegui concluir esse livro por causa do audiobook, porque escutar, para mim, foi muito mais interessante e me deixou mais entusiasmada com a história. Por isso, posso afirmar que esse não é o meu livro favorito de Jane Austen. Orgulho e Preconceito ainda está em primeiro lugar.

De qualquer forma, sugiro que leia Emma e tire suas próprias conclusões. Você também pode escutar o audiolivro gratuito por aqui. Quem sabe sua opinião é diferente da minha…

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Publicado por

Curiosa, apaixonada por livros e completamente consciente de que ainda tem muito a aprender. Acredita que a educação e o trabalho não apenas libertam, mas também te fazem transbordar. E isso está ao alcance de todos.

4 thoughts on “Resenha: Emma, Jane Austen

  1. Carol, gostei demais da resenha.

    Apesar da raiva que ela me fez o livro todo, eu já gostei muito da Emma hahaha.

    Concordo contigo em dizer que esse é um livro parado. Para mim isso revela como era aquele tempo da sociedade alta britânica – cheio de futilidade.

    Amei o personagem principal também, na minha opinião um dos melhores protagonista da Jane Austen.

    ^^

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    1. Obrigada Kelly! 🙂

      Essa Emma me fez passar raiva viu rsrsrs

      Agora que você falou sobre como a sociedade era cheia de futilidade, realmente faz sentido o livro ser meio parado. Não tinha pensado nisso.

      O Sr. Knightley é incrível! Conquistou meu coração 🙂

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