5 curiosidades sobre o desempenho brasileiro no PISA 2015

Durante minha pesquisa para escrever o post sobre a 4ª Revolução Industrial, me deparei com dados preocupantes sobre a alfabetização no Brasil, revelados pelo relatório de 2018 do Inaf. Infelizmente, essa não é a única pesquisa que indica a existência de problemas na educação no país.

O último relatório do PISA (Programme for International Student Assessment), divulgado em 2015, revelou que os estudantes brasileiros possuem lacunas educacionais em outras áreas de conhecimento. E é sobre esse relatório que vou comentar hoje.

Mas antes de entrar nesse assunto, acho importante explicar um pouco sobre esse programa de avaliação, o Pisa.

O que é o PISA?

O programa de avaliação PISA foi criado em 2000 pela OECD (The Organisation for Economic Co-operation and Development) e atualmente conta com participação de mais de 80 países.

Pesquisadores do mundo todo trabalham na formulação de questões relacionadas a leitura, matemática, ciência e inovação, que serão utilizadas para avaliar os estudantes. Os questionários resultantes são aplicados somente aos estudantes de 15 anos de idade, em todos os países participantes.

A cada três anos, o programa divulga o relatório avaliativo de cada país. Vale lembrar que os resultados do PISA revelam muito mais que um ranking educacional, mas também demonstra a efetividade dos sistemas educacionais, além de fornecer pistas do que é preciso melhorar.

Agora que você conheceu um pouco sobre o trabalho por trás do PISA, vamos focar nas 4 informações interessantes sobre o Brasil. Esses dados foram retirados de um documento disponível no site do INEP e que aborda o parecer do PISA 2015.

5 curiosidades sobre o desempenho brasileiro no PISA 2015.
Photo by Sharon McCutcheon on Unsplash

1- Os pontos fracos e fortes dos estudantes na ciência

Vamos começar falando o desempenho em ciência, porque esse foi o foco do exame realizado em 2015. Essa avaliação mostrou que os estudantes brasileiros obtiveram melhores resultados na competência “Explique fenômenos cientificamente”. Porém, esse bom desempenho ocorreu apenas nas questões de múltiplas escolhas, não ocorrendo nas questões abertas. Em contrapartida, na competência “Interpretar dados e evidências cientificamente” eles obtiveram o seu pior desempenho.

2- O desempenho brasileiro em ciência foi pior que o da Costa Rica (!)

A pontuação dos estudantes brasileiros em ciência foi de 401 pontos, bem menor que a média de pontuação dos países membros da OECD, que foi de 493 pontos. Esse resultado coloca o Brasil atrás de vários países, como México, Colômbia, Costa Rica, Uruguai e Chile.

3- Não foi constatada uma evolução na performance em ciência nos últimos exames do PISA

Não foram encontradas evidências que indicassem diferenças estatisticamente significativas entre o desempenho dos estudantes brasileiros em ciências no PISA 2015 e as edições anteriores da avaliação (2006, 2009, 2012). Ou seja, não houve melhora nos resultados dos estudantes de 2006-2015.

4- O baixo desempenho brasileiro em relação a leitura

A maior parte dos estudantes avaliados, 51% para ser mais exata, se encontram abaixo do nível 2 na escala de leitura, que é o nível que a OECD entende como importante para que o estudantes possa exercer sua cidadania. Vale ressaltar que a escala usada como parâmetro é constituída por vários níveis, começando pelo nível “abaixo de 1B” – mais baixo – até o nível 6 – mais alto.

5- Os estudantes brasileiros foram muito mal em matemática

Mais de 70% dos estudantes avaliados se encontram abaixo do nível 2 na escala de proficiência em matemática. Para ser mais exata 43, 74% se encontram abaixo do nível 1. Essa escala é composta de vários níveis, sendo “abaixo do nível 1” o mais baixo e 6 o mais alto. Ainda de acordo com o relatório, o nível 2 é considerado fundamental para que os estudantes possam exercer a sua cidadania.

5 curiosidades sobre o desempenho brasileiro no PISA 2015.
Photo by Siora Photography on Unsplash

Como chegamos nesses resultados?

Não sou especialista em educação, mas após ver esses resultados, acredito que é importante fazer alguns comentários. Logo, não tenho respostas, apenas comentários para te instigar a pensar junto comigo. Lembrando que há muito mais dados no relatório do PISA do que foi exposto aqui. Por isso, vale conferir o documento na íntegra.

Ao ler o relatório, passei a me questionar se esses resultados podem estar relacionados a forma como os conteúdos são abordados na sala de aula. Em geral, o foco do ensino brasileiro é o conteúdo, aquele que cai no vestibular/ ENEM. Ou seja, estamos falando de fórmulas e daquela velha “decoreba”. Mas interpretação de dados e evidências requer mais do que isso: você deve ser capaz de relacionar informações e formular um parecer diante delas. Você precisa refletir sobre aquilo que está sendo apresentado, para depois formular a sua resposta.

Também é possível que essa visão conteudista esteja relacionada com o currículo escolar inchado que temos hoje no Brasil. Em outros países, o volume de conteúdo que deve ser trabalhado nas escolas é menor, o que permite o aprofundamento desses conteúdos. Sem falar que as condições de trabalho para o professor, assim como a remuneração, também são melhores nos países desenvolvidos.

Arrisco dizer ainda que o desempenho brasileiro em todas as áreas de conhecimento analisadas também pode estar relacionado aos problemas na alfabetização. Você lembra do texto sobre a 4ª Revolução Industrial? Nele eu citei que apenas 12% da população é considerada alfabetizada proficiente, ou seja, é capaz de elaborar textos complexos, interpretar tabelas e gráficos com mais de duas variáveis e resolver situações problemas relacionadas as diversas etapas de planejamento, controle e elaboração.  Sem essas habilidades, você provavelmente terá muita dificuldade em resolver problemas relacionados a Ciência e Matemática.

A educação no Brasil não melhorou nos últimos anos

Com base no Inaf e no Pisa é possível dizer que não houve melhora na educação brasileira nos últimos anos. Para falar a verdade, mesmo sem uma pesquisa oficial você teria notado isso, uma vez que a má qualidade de ensino impacta a vida política, social e profissional da população.

Além disso, ao que parece, ano que vem (2020) teremos mais um relatório do PISA com os resultados dos estudantes brasileiros. Sinceramente, não acredito que os próximos resultados serão muito diferentes dos anos anteriores, já que não houve um investimento significativo na educação básica na última década. Mas não deixa de ser uma oportunidade para nos questionar enquanto sociedade, e cobrar dos governantes, o que podemos fazer para mudar esse quadro.

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Curiosa, apaixonada por livros e completamente consciente de que ainda tem muito a aprender. Acredita que a educação e o trabalho não apenas libertam, mas também te fazem transbordar. E isso está ao alcance de todos.

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