Descansar é preciso

Textos diários #1

No mês de outubro estou encerrando mais um ciclo de estudos em minha vida: o mestrado. E posso afirmar que uma das coisas que aprendi nesse período é que nem sempre as coisas acontecem como planejamos. Eu sei que isso é meio óbvio (ok, totalmente óbvio), mas somente quando você se depara com as mudanças de percurso, se lembra dessa afirmação. O pior de tudo é que, muitas vezes, sacrificamos nossas necessárias pausas para descanso para compensar o trabalho atrasado, o que pode não ser muito bom para sua saúde.

Pensando nisso, resolvi te contar um pouco do que aconteceu no meu mestrado para você perceber como pausas são importantes.

Iniciei o mestrado em Ciências Ambientais em novembro de 2017, sendo que, para participar do projeto seletivo, tive que elaborar um projeto no qual trabalharia durante os próximos 2 anos. Pois bem, passei na seleção. Pouco tempo depois, recebi a proposta para trabalhar em um projeto com o qual me identifiquei muito mais do que o projeto inicial. Como fiquei muito animada com a ideia, aceitei a proposta, e realizei a defesa do projeto já utilizando os novos objetivos e metodologia na qual iria trabalhar.

Projeto defendido, planejamento traçado. Chegou a hora da execução. E foi nessa hora que o bicho pegou. Montar experimento e utilizar organismos vivos deram muito mais trabalho do que eu imaginava. Basicamente, eu iria analisar o potencial biorremediador da alface plantada em solo contaminado por metais pesados. (Caso você queira entender o que é potencial biorremediador, sugiro a leitura desse artigo). Então, tive que preparar o solo, plantar as alfaces e fazer a manutenção diária das plantas, processo que acabou levando mais tempo do que havia sido planejado em função do atraso para a compra e coleta de alguns materiais materiais.

Descansar é preciso
Photo by Arnel Hasanovic on Unsplash

Estava tudo indo bem, mesmo com atraso, até que mais ou menos em março desse ano, minha plantação de alfaces experimental pegou um fungo ou uma praga, até hoje eu não sei o que aconteceu, que provocou o apodrecimento das folhas das hortaliças. Procurei ajuda, para saber se eu poderia utilizar algum defensivo para resolver o problema, mas àquela altura já era tarde. Ou seja, faltavam pouco mais de 6 meses para terminar o mestrado e eu ainda não tinha nem experimento e nem resultado.

Nem deu tempo de viver um pouco da tristeza pelo trabalho e tempo perdido. O desespero me levou a criar outro projeto, com outra linha de pesquisa, como havia sugerido minha orientadora, que me ajudou muito no meio dessa confusão. Resumindo, acabei desenvolvendo um projeto que deveria levar 2 anos em 6 meses, porque era esse o tempo que me restava até o prazo final para defesa. Por isso digo que meu mestrado foi estilo governo JK: 50 anos em 5 (ou 2 anos em 6 meses).

Em função dessas alterações e de todos os experimentos que eu precisava fazer, acabei não tendo muito tempo para escrever a dissertação. Lembrando que para escrever também é preciso ler e estudar muito, a fim de interpretar e discutir os resultados. Por causa disso, meus últimos dois meses foram muito corridos, especialmente o mês de setembro. Não sabia mais o que era assistir um filme, ficar com a família ou aproveitar o fim de semana, já que ficava horas lendo e escrevendo, tentando encontrar a melhor forma de explicar meus resultados. No meio disso, acho que em função do estresse, ainda tentava lutar contra a ansiedade e minha dificuldade para dormir.

Quando finalmente entreguei a versão final da dissertação para os professores da banca analisarem, eu desabei. Lembro que estava conversando com um professora muito querida sobre assuntos pessoais nesse dia, e simplesmente comecei a chorar. Fui para casa chorando e fiquei assim por algum tempo. E ainda sentia aquela sensação que fica no corpo pós-febre, sabe? Eu não estava nenhum pouco bem. Sou uma pessoa sensível, mas aquilo era fora do meu normal. Percebi que realmente precisava de um descanso.

Apesar de ainda ter algumas coisas pendentes para resolver, tirei 3 dias para não fazer absolutamente nada, a não ser assistir filmes, organizar minha bagunça e me encher de comidas gostosas. E COMO EU PRECISAVA DISSO! Na segunda já estava me sentindo bem melhor física e emocionalmente.

Deixo esse pequeno relato pessoal como um exemplo de que, às vezes, tudo o que você precisa é se desligar de todo trabalho e simplesmente DESCANSAR. Vale lembrar que a sobrecarga de trabalho pode causar vários danos à saúde, incluindo o desenvolvimento de doenças como a Síndrome de Burnout.

É claro que tenho consciência que nem sempre podemos desacelerar (foi o meu caso no mestrado). Porém, fica aqui o alerta de que passar muito tempo sem fazer pausas vai te causar algum prejuízo posterior.

Depois da minha experiência, acredito ainda mais que o autoconhecimento, o estabelecimento de limites e o equilíbrio devem ser nossas metas de vida, mesmo em meio ao caos. Por essa razão, estou procurando mais informações sobre planejamento e organização, já pensando nos próximos projetos, e em breve compartilharei aqui o que encontrei.

Publicado por

Curiosa, apaixonada por livros e completamente consciente de que ainda tem muito a aprender. Acredita que a educação e o trabalho não apenas libertam, mas também te fazem transbordar. E isso está ao alcance de todos.

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